Cade a vara ?

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Outro dia, li um lindo artigo de um brasilinista tratando de um assunto muito interessante. Dizia ele da diferença de sentimentos religiosos dos americanos e brasileiros. O americano é um povo temente a Deus, pois teve sua base religiosa no protestantismo, mais presente na Igreja Presbiteriana. Já o brasileiro, formou-se à base do catolicismo, onde o padre ouve a confissão, manda rezar alguns pais-nosso e tantas ave-marias e pronto: esta perdoado.

Enquanto o americano que pisa na bola sai de sua igreja temeroso e se preocupa com o semelhante, o brasileiro ao sair perdoado após a missa – muitas vezes por um pecador maior, já destrata o pedinte na base da escadaria do templo.

Os jovens e emergentes empresários americanos buscam formas de ajudar as pessoas como auto condenação de alguns atos falhos. Vejam Bil Gates, que após se aposentar da Microsoft, sai pelo mundo afora com o firme propósito de acabar com a poliomielite, financiando as operações. Por isso, talvez se explique que nos Estados Unidos, a divisão de renda é maior.

Aqui, o ex-presidente aperfeiçoou o Bolsa Família. Durante oito anos, o pobre começou a ter acesso a uma geladeira melhor, um fogão de mais bocas e até mesmo alguns se aventuram a compra de uma TV fininha e um carro.

O governo deu o peixe e o povo se alimentou.

Agora a presidente Dilma comemora o aumento do Bolsa Família. Êpa, aumento? Não, o programa não pode crescer. O certo era ele diminuir, pois os pobres miseráveis receberam e deveriam seguir seu rumo.

Aí está! O governo não ensinou a pescar o peixe. E por outro lado um monte de gente, especialmente da categoria sem qualificação, se acomodou e não quer mais buscar trabalho. Colocaram mais filho no mundo e receberam mais. Já dava pra pagar as prestações que algumas financeiras travestidas de lojas de eletrodomésticos e ainda sobrava para a cervejinha de cada dia.

Tudo tem seus prós e contras.

O sul de Minas perdeu grande parte da colheita de arroz por que não encontrou ninguém para trabalhar. A indústria moveleira de Ubá poderia ter crescido bem mais se não tivesse maquinário parado esperando por trabalhadores. A construção civil que movimenta centenas de produtos agregados poderia estar a todo vapor, mas falta quem queira virar laje. E assim está o nosso País.

A renda está mais dividida? Sim, mas poderia estar mais se fosse dado o Bolsa Família por um tempo e dessem também a vara de pescar com seu respectivo manual de operação.

Dados da Delegacia do Trabalho de Juiz de Fora indicam que somente 10% dos que estavam recebendo o benefício do Salário Desemprego foram em busca de outra ocupação. Portanto 90% optaram por continuar no benefício, deixando o SINE com centenas de ofertas de emprego a esperar.

Meu filho furou um pneu do carro no último domingo. Na segunda, foi procurar uma oficina. Na primeira, o dono disse que o borracheiro há cinco dias não aparecia para trabalhar. No segundo, o profissional faltou e somente no terceiro foi atendido, mesmo assim pelo proprietário.

O governo diminuiu o número de pobres, mas aumentou o de vagabundos. E o Aurélio é claro: vagabundo é aquele que não quer trabalhar.

Podcasting originalmente publicado no www.jfnoticias.com.br

Terra de ninguem II

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Continuando minha sina contra as empresas de telefonia, chegava o hora de gritar pelo meu super herói favorito, muito mais do que o . E em alto e bom som…

A N A T E L

Pronto, do outro lado da linha parecia primeiro mundo, uma voz educada e sem pressa ouvia minha reclamação. Confirmou minhas qualificações de cidadão e me passou um número de protocolo.

Um dia depois, meu filho recebe uma ligação da OI e seu interlocutor, uma voz jovem, e também muito educada, indagava do meu filho o porquê da reclamação, etc, etc. Meu filho apresentou o principal motivo, que a promoção dos fins de semana havia sido suspensa e ele estava pagando por ligações realizadas.
O jovem atendente ficou de retornar e quando escrevo esse artigo, ainda estamos dentro do prazo de cinco dias que a ANATEL dá para as partes resolverem.
Portanto, nas vezes que recorri à ANATEL, consegui resolver tudo. A Agência tem cumprido rigorosamente o que se propõe.

Mas, para que isso aconteça, precisamos fazer com que o povo aja da mesma forma. Reclamando, fazendo cumprir seus direitos. O telefone da ANATEL é 133.

Claro que me refiro às pequenas causas, pois quando o assunto é mais complicado, foge da alçada da ANATEL e temos que ir para a injusta JUSTIÇA, que coincidência ou não dá ganho de causa, na maioria das vezes, às empresas. Eu mesmo já testemunhei o teatro feito por um magistrado, quando literalmente deu “uma bronca” no advogado da telefônica, pois este contestava a reclamação verbalmente e não apresentava prova de sua contestação. Horas depois, o magistrado dava conclusão a favor da operadora. O processo está desde junho do ano passado para que um desembargador dê seu veredito em segunda instância.

Estamos cercados de todos os lados: Operadoras de Telefonia, Operadoras de TV a cabo e outras nesta TERRA DE NINGUÉM. A Justiça julga baseada nas leis que os espertos deputados criam para proteger essa raça capitalista, muitas vezes em troca de financiamento de campanha. O Ministério Público finge que nada vê e não provoca a Justiça. E nós, vamos fingindo que tudo está bem num País que eles podem tudo e nós não temos onde reclamar.

Por isso, rendo homenagens a ANATEL, que tem feito um belo trabalho em relação a essas empresas. Seria bom que as outras agissem da mesma forma: Que a ANEEL ajudasse a termos o que pagamos a mais em contas de energia nos últimos anos… Que a ANVISA retirasse de circulação os remédios que emagrecem em dois dias. Que a ANAP acabasse com cartéis e combustíveis adulterados. E que a ANAC fizesse a PANTANAL respeitar o público de Juiz de Fora, que depende de aviões decolando na hora certa.

Será que eu estou pedindo muito?

Podcasting publicado originalmente no www.jfnoticias.com.br

Terra de ninguem I

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Antigamente – eu que sou do interior, lembro bem – a gente ligava e pedia à telefonista uma ligação para uma cidade não tão distante. Cinco, seis horas depois, a funcionária da telefônica voltava o contato e completava a ligação.

Ah! Velhos tempos, velhos dias!

Hoje a tecnologia nos proporciona apanhar um pequeno retângulo no bolso e falar imediatamente para o outro lado do mundo. Alguns, até podendo ver o interlocutor.
Mas, o progresso tem seu preço e o capitalismo é voraz, porque carrega dentro dele uma série de “lei de Gersons” que acaba nos tirando cada vez mais dinheiro do bolso.
É bom o avanço, mas a cada vez que vejo uma pessoa com um celular na rua, vejo um real indo embora para a Europa, Estados Unidos e por aí vai.

Até aí tudo bem. Essas empresas nos proporcionam comodidade e isso tem preço.
Mas, quando elas teimam em nos enganar, aí a coisa passa ser caso de polícia.

Eu não me dou por vencido. Na condição de jornalista, muitas informações caem no meu conhecimento e uso-as da melhor forma possível. E claro, aproveito os veículos que passo, para divulgar e fazer com que a população as use também. Uma delas chama-se ANATEL. As empresas de telefonia, principalmente a mais marginal de todas, a conhecida OI, que treme de medo ao ouvir essa palavrinha mágica: A N A T E L.
Esta agência foi criada para fiscalizar os atos das operadoras de comunicação e fazê-las cumprir as regulamentações do setor. Eu virei figurinha fácil na empresa. Minha mesa de trabalho vive com aqueles minúsculos papéis amarelos, colados a minha frente com dezenas de protocolos de atendimento de reclamações de empresas telefônicas. Não abro mão dos meus direitos.

Poderia citar muitas reclamações, mas vou me deter a uma.

Meu filho, desde 2002, tem o tal chip OI 31 ANOS. No lançamento, ele já ostentava uma linha que dá direito a falar de OI para OI nos finais de semana por 31 anos. Foi a grande burrada que a empresa fez e hoje se arrepende. Mas, se arrepende querendo tirar do usuário esta “honraria”. Já tentaram de tudo. No nosso caso, o telefone do meu filho passou há alguns anos a compor um pacote chamado OI CONTA TOTAL, que incluía VELOX (acesso a Internet) e um número fixo sem limites de ligações locais. Portanto, ele mudou de plano e continuou com o tal OI 31 ANOS – diga-se de passagem, hoje valendo no mercado perto de mil reais.
No mês passado, liguei para a OI e cancelei esse conta total, pois vou usar acesso de outra operadora que me cobra bem mais barato. Voltamos para os planos normais. Acontece que a empresa agora alega que meu filho perdeu o direito, pois mudou de plano. Argumentei que ele já havia mudado e não havia perdido. Mas, nada. As atendentes, pobres moças e rapazes cobrados a exaustão e com os nervos a flor da pele não arredavam pé: ALGO MAIS SENHOR?

Sim, faltava chamar meu super herói.

Mas isso é assunto para o nosso próximo podcasting…

Este podecasting foi publicado originalmente no www.jfnoticias.com.br

Rio de Lagrimas II

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Na véspera de completar mais uma volta neste grande autódromo chamado vida, emocionado por vencer barreiras, confesso que passei boa parte desta quarta, dia 12, em lágrimas.

A primeira cena, logo cedo, ao chegar a sala e cumprimentar minha mulher, olho a TV que estampa a saudosa Igreja de Santo Antônio, na Praça do Suspiro na minha terra natal, Nova Friburgo.
Boquiaberto fiquei ao ver a capela onde muitas vezes rezei, o Tiro de Guerra ao lado, onde cumpri minhas obrigações militares e a praça que assistiu a muitos sarros e sussurros. Tudo acabado! Somente lama e restos de casas e teleférico que ficavam no morro atrás.

Sentei. Alias, cai na poltrona. Olhos fixos e os repórteres mostravam as vizinhas Teresópolis e Petrópolis.
Os fatos aconteciam bem mais rápido que a capacidade dos jornalistas tinham para informar. O número de mortos crescia no display como se fossem os impostos que pagamos. Confesso que mais lágrimas surgiram.

Ontem, sai de casa duas vezes para gravações. Voltava à Internet e TV para checar as últimas informações. Em 54 anos, completados neste dia 13 de janeiro, nunca havia assistido tamanha desgraça. As autoridades já somam quase 400 mortos.

Nos intervalos entre um suspiro de lamentação e um cafezinho, via a TV mostrar outra cena dantesca:

Milhares de desocupados (pois numa tarde de quarta-feira, poucos têm possibilidade de ir a alguma festa), se acotovelavam e em lágrimas, com a mesma força brutal e fanática que a lama matava na Serra, derrubavam o portão de um clube popular no Rio, para saldar sua nova contratação. Ou melhor, em se tratando do fanatismo de grande parcela dessa torcida, seu novo semideus. Figura que promete, não se sabe se vai cumprir, levar a conquista de todos os títulos a partir de agora. Comecei a comparar as lágrimas dos fanáticos flamenguistas que lá estavam com as lágrimas das pessoas que contavam aos repórteres a perda de pais, cônjuges, mães e quando não, os bens materiais perdidos. Tudo misturado. A natureza havia arrasado não só pobres como também ricos da região.

Nada contra o Clube de Regatas do Flamengo, entidade séria e que respeito. Mas, tudo contra a senhora presidente, Patrícia Amorim, que deveria no mínimo, ter tido um comportamento de sensibilidade humana transferindo essa festa para daqui uma semana.

Comemorar a chegada de um profissional que vai receber mensalmente R$ 1.800.000,00, equivalente ao que ganha duzentos executivos do nível de Ford, Pão de Açúcar, Fiat e outras, enquanto milhares de torcedores do clube morriam soterrados na Serra Fluminense, foi mais do que revoltante.  Para a ensandecida parcela de fanáticos torcedores então, nem passava pela cabeça o que estava acontecendo na Serra. Mas, como são fanáticos, talvez mesmo tendo um familiar morto, estariam lá para reverenciar o “dentuço”.

O Flamengo já ganha o primeiro título do ano: de insensibilidade. Pode comemorar!

Este podcasting foi publicado originalmente no www.jfnoticias.com.br