A morte de uma guerreira
No último dia 16 de julho, recebi mais um telefonema em meu celular, onde o bina registrava um nome de uma amiga. Os telefonemas eram constantes o que mostrava seu carinho para comigo e minha família.
Mas, naquele dia ao olhar a identificação, minha garganta deu um nó. Algo estranho estava no ar e não a voz um pouco rouca mas maviosa, daquela que abria o dialogo com a frase: “como vai meu querido afilhado?”.
Não, era a voz de sua secretaria que me comunicava com som embargado, que minha querida Hilda Baptista Campos havia estendido a mão a Deus que lhe chamava para um patamar mais elevado.
Embargada era a voz da Ligia e embarcada ficou a minha. Não tinha o que falar. Desliguei.
Estava sozinho na loja de meu filho e filmes se passaram em minha mente. Imagens daquela mulher forte com até os 94 anos havia vencido a cegueira, a obesidade, a falta de muitos de seus movimentos, de um mal no intestino. Mas não conseguiu na verdade, assimilar um filho partindo antes que ela. Aos poucos a doença começava a vencer aquela gigante guerreira que sempre conviveu com o mal, mas, nunca deixou que calasse suas frases, suas participações nas rádios da cidade, lembrando datas de aniversário dos mais próximos, rezando por aqueles que necessitavam de sua fé. Sem contar sua memória de anos e anos de trabalho como enfermeira e parteira que trouxe a esse mundo mais de 8000 mil pessoas. Isso mesmo: os registros provam.
Hilda foi uma guerreira. Não tive coragem de ir vê-la em um caixão. A imagem que guardo da “minha madrinha” e para muitos “vó Hilda” é a que fiz questão de tirar de um programa da TV Panorama e colocar no You Tube no ano passado, para o que mundo tomasse conhecimento que em Juiz de Fora existia uma santa mulher, que ignorava a doença e sempre, com atos e palavras de sabedoria, consolava os seus muitos “filhos’ e amigos.
Reproduzo em meu site para que vocês também possam conhecer (se não a conheceram) um pouco dessa mulher que aqui não nasceu, mas, que em nenhum momento recebeu uma cidadania por parte de nossos edis.
Agora, Hilda é morta – não me venham com falsidade!
Como mãe não deixava um instante de estar aconselhando seus três filhos: Severina (seu braço direito desde que foi adotada), o professor Magno (falecido a menos de dois anos) e o criminalista e também professor, Nilo Baptista, ex-governador do Rio de Janeiro.
Sabedora que a política provoca ingratidões, quantas vezes dizia ao filho para abandonar o PDT e seu grande mestre Leonel Brizola. Muitas vezes se chateava por não ser atendida diante da fidelidade de Nilo ao velho caudilho.
Uma grande mãe!
Levei um mês para escrever sobre “minha madrinha”. Não se trata de homenagem, pois o pouco que fizer será ínfimo diante de seu merecimento. Registro a dor da perda de uma amiga e conselheira, de uma madrinha postiça que assumiu um afilhado e que sempre mostrava admiração.
Reproduzo a gravação da TV Panorama para que vocês conheçam/relembrem dessa “grande mulher de expressão: Hilda Baptista.
Sua benção madrinha. Minha saudade e a certeza que o céu está iluminado de mais uma estrela de muita luz. Descanse em paz.








