Nâo sei !

“Se você ainda não sabe qual é a sua verdadeira vocação, imagine a seguinte cena:
Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali.
Aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta:

- Será que vai chover hoje?

Se você responder “com certeza”.. a sua área é Vendas: O pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.
Se a resposta for “sei lá, estou pensando em outra coisa”… então a sua aérea é Marketing:
O pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.
Se você responder “sim, há uma boa probabilidade”… você é da área de Engenharia:
O pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.
Se a resposta for “depende”… você nasceu para Recursos Humanos:
Uma área em que qualquer fato sempre estará na dependência de outros fatos.
Se você responder “ah, a meteorologia diz que não”… você é da área de Contabilidade:
O pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados no que nos próprios olhos.
Se a resposta for “sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuvas”:
Então seu lugar é na área Financeira que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.
Agora, se você responder “não sei”…há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando a diretoria da empresa.
De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder “não sei” quando não sabe.
Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.
“Não sei” é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.
Parece simples, mas responder “não sei” é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa.
Por quê?
Eu sinceramente “não sei”.

(Antonio Ermírio de Moraes)

Feliz idade

Foi realizado em Madrid o Primeiro Congresso Internacional da felicidade , e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 40 anos.
Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: “Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes”.Era o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem que me puxassem pelos cabelos. Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar semprecamisinha (e continuar usando), dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos.
Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila.
É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 40 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancase a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca.
Pense bem: depois dos 40, você paga do próprio bolso o que come e o que veste.Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque.Não tenta mais o suicídio quando um amor não dácerto, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila hippieumanotebooknão precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o (a) cara.Depois que cumprimos as missões impostas no berço: ter uma profissão, casar e procriar,passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos.Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta.
A maturidade, sim, permite uma certa loucura.Depois dos 40, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes.
ALGUÉM DISCORDA?

Cirurgia de lipoaspiração ?

*Herbert Vianna*
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que
não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém
está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito
menos ‘lipo-as’ e muito mais piração?
Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu.
Hoje, Deus é a auto-imagem.
Religião é dieta.
Fé, só na estética.
Ritual é malhação.
Amor é cafona; sinceridade é careta; pudor é ridículo, sentimento é
bobagem.
Gordura é pecado mortal.
Ruga é contravenção.
Roubar pode , envelhecer não.
Estria é caso de polícia.
Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em
mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas,
beleza.
Nada mais importa.
Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o
relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
Não importa o outro, a sua volta, o coletivo. Jovens não tem mais fé,
nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar
legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal,
mas…
Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens
lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode
ser.
Que as pessoas discutam o assunto.
Que alguém acorde.
Que o mundo mude.
Que eu me acalme.
Que o amor sobreviva.

“Cuide bem do seu amor, seja quem for “!

Mulher mineira

Nossa ouvinte Rita Testa nos enviou esta crônica. Pena não sabermos o autor. Ótima.

Gostaria muito de poder encontrar palavras para dizer do orgulho que sinto
de ser mineiro.
Meus pais não poderiam me dar um presente melhor.
Se existir outra vida, quero nascer mineiro de novo.
Mas tem uma coisa que eu gosto mais do que ser mineiro: namorar as mineiras.
Mineira não usa perfume e cheira gostoso demais.
O jeito irresistível que a mineira tem para conversar no portão, sem encarar
nos olhos e mexendo com os botões da nossa camisa é que nos conquista.
Essa sabedoria não se aprende na revista Capricho nem nos livros de
auto-ajuda.
Joaquim da Mata, o Velho Quincas, filósofo dos cafundós de Minas, quando
compara o jeito de ser de uma mineira com o de outra mulher, afirma que a
“deferença” está no preparo.
O “caldinho” que envolve a mineira e dá a ela este jeitinho tão gostoso foi
preparado em panela de ferro num fogão à lenha.
Mineira não mente, conta lorota.
Não paquera, espia. Não fica bonita, nasce formosa.
Mineira não curte um som, ouve música. Não fala, proseia.
Mineira não come estrogonofe, mas adora um picadinho de carne.
Não faz crediário, compra fiado. Mineira não transa, faz amor.
Não fica pelada, mostra as “vergonhas”. Não erra, comete engano.
Mineira não chupa cana, toma garapa na beira do engenho.
Não liga pra ninguém, mas telefona pra todo mundo.
Mineira não trai marido: escorrega na rua.
Mineira ama diferente. Flerta de longe, promete com o olhar e cumpre tudo o
que nos deixou sonhar e não precisou esclarecer com palavras.
Ela sabe que amor não é pra discursar, é pra fazer.
Ama com os olhos, com as mãos, com o sorriso, com os gestos. Mineira ama com
o corpo inteiro e com toda a sofreguidão da alma.
Conhecí muitos tipos de brasileiras. Faceiras, trigueiras, formosas,
poderosas, aditivadas, turbinadas, loiras, morenas, mulatas, cafuzas, todas
bonitas, mas lhes falta essa brejeirice das mineiras, essa paciência de
tecer sem pressa uma teia de aconchegos e mimos, de lembranças e
sorrisos,que nós das Gerais tanto apreciamos.
Existem coisas que já nascem com a mulher e muitas destas coisas estão
diretamente ligadas ao lugar.
Mineira faz doce como ninguém neste país. Quem já provou doce de cidra ou de
leite feito por mineira, sabe o que é bom. Goiabada e marmelada, então, nem
se fala.
Mineira estuda menos e ensina mais porque o que há de importante ela já
nasceu sabendo.
Mineiras se embelezam com bijuterias e ofuscam o brilho de jóias raras.
Vestem-se de chita e ficam bonitas, porque mineira não segue moda: faz moda.
Mineira não usa tênis, enfeita as alpercatas
Mineira vai à igreja, assiste missa, comunga, mas por via das dúvidas toma
um passe no centro espírita e joga rosas vermelhas pra Iemanjá no córrego de
frente à horta. Sabe que são misteriosos os caminhos que levam às graças de
Deus.
Também faz política, porque sempre sabe distinguir o certo do errado.
Escondida por trás da simplicidade de toda mineira está uma guerreira pronta
pra lutar pelo Brasil.
Dizem mesmo nas Gerais que é a mulher quem ensina o homem a ficar rico.
Mineira não é feminista: é feminina. Pra que lutar contra os homens, se todo
o poder está nela?
Mulher, quando casa com homem rico, vira madame. Mineira vira esposa