O idiota e a moeda

Enviada pela nossa amiga Gianne

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.
Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e
ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor de 2.000 REIS.
Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
Eu sei, respondeu o tolo. ‘Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda’.
Pode-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.
A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.
Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião a nosso respeito.
Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos.
O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente.

Arnaldo Jabor

Carta de um homem

Texto enviado pelo ouvinte Amarildo Lopes

Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim.Nossa avaliação é visual . Isso quer dizer, se tem forma de guitarra…
Está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.

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Homenagem a Artur da Távola

Última crônica de Artur da Távola

Ainda rapaz, minha mãe anunciava com alegria, ao receber o salário modesto de funcionária pública no fim do mês: “Hoje vai ter camarão com catupiri”.
Prato denso pela consistência daquele requeijão no qual, ademais, ela adicionava deliciosos palmitos. Não usava molho de tomate de lata (“muito ácido”, dizia), nem colocava ervilhas. O camarão era grande, gostoso e bem mais barato então. Falo de molho de tomate e ervilhas porque, depois, a especiaria ganhou fama e até estrelato em nobres cardápios, tornando-se, também, salgada no preço. Apareceu em jantares finos e restaurantes metidos. E com molho de tomate e ervilhas.

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Boff e Dalai Lama

Colaboração da ouvinte Rita Testa.

Leonardo Boff conta:

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, perguntei maliciosamente a Dalai Lama:

- ‘Santidade, qual é a melhor religião?’

Esperava que ele dissesse:

‘É o budismo tibetano’ ou ‘São as religiões orientais, mais antigas do que o cristianismo.’

Mas, Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso suave, me olhou nos olhos

- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta -

e afirmou:

A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus.

É aquela que te faz melhor.’

Diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

– ‘O que me faz melhor?’

Respondeu ele:

- ‘Aquilo que te faz mais compassivo

(e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta),

aquilo que te faz mais sensível,

mais desapegado, mais amoroso,

mais humanitário, mais responsável…

A religião que conseguir fazer isso de ti

é a melhor religião…’

Calei-me, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.